sábado, 9 de fevereiro de 2013

Pensei


No enfermo temporal daquela manhã, Joshua comunicava na palestra de segurança pública a todos os funcionários do estado, questões importantes para as melhorias adequadas dos profissionais para a melhor segurança dos cidadãos da cidade. O que ele não sabia até aquele momento era os laços complexos de corrupção e máfia impregnada na cidade, pessoas com muita influência lideravam lavagens de dinheiro e assassinatos, crimes pequenos aos crimes grandes, a cidade era suja, fedia a coisa ruim. Ninguém avisou ao novato de mineirinhos o caos que ali reinava.  Joshua gesticulava e usava argumentos fortes, ninguém o venceria num debate mano-a-mano de forma honesta, o que ali não era o caso, eles, os caras maus venceriam Joshua com uma bala atravessando a têmpora. Ao fim da palestra todos se dirigiam a saída do teatro. Nosso Joshua pega a saída dos fundos e avança para o seu carro. Ele dá a partida e segue para seu apartamento, o sinal a frente está verde então ele segue pelo cruzamento quando de repente outro carro bate na lateral de Joshua pelo lado esquerdo. Ainda zonzo e meio desacordado, Joshua se mantém no carro, alguém vindo talvez do outro carro que bateu nele se aproxima e atira três vezes no peito de Joshua. O temporal caiu incessante e água e sangue se unem e se esvai pela cidade, como a vida de Joshua.

Joshua e suas ideias morreram, talvez pelas suas ideias na palestra ou talvez devesse por drogas, alguém o odiava, uma amante, um marido traído, apenas talvez um filho ingrato. Só se sabe que alguns ou muitos choraram nesse funeral, outros nem sentiram nada. Só se sabe que virá sofrimento nos peitos destes que o amava. A dor é algo ruim ou bom? Pode te torna forte, mas a constância te destrói. A pessoa enlouquece e se esquece de que é um humano e se julga maltratado pelo mundo e por Deus, que ele é algo em especial que é exclusivo. E por ironia essa pessoa, passa a causar à dor em outros. Apenas um detalhe, simples que for às vezes até mais fraco que a morte de Joshua, destrói uma zona de conforto, um mundo. Não precisa de complexidade para tornar uma mente sã em um complexo de raiva ao ódio. Tudo se ressume em peças de dominó. Derrubando a primeira peça, sem querer, damos uma sequência que podemos chamar de razão insana, que a uma pessoa com a mente perturbada de que o certo é o incerto, que o que lhe aconteceu justifica o que acontece e o que acontecerá, que o que faz ou fará. Por fatores incalculáveis temos tarados, assassinos, estupradores, pedófilos, zoófilos, necrófilos e etc. Coisas fora do senso comum nem sempre são benéficos, mesmo que ninguém seja normal, santo ou que ninguém seja perfeito ou até ninguém deveria julgar os atos dos outros, mas temos que ter noção, que quando algo foge demais do bom senso comum, da naturalidade e feri os outros de alguma maneira ou faz mal, temos um problema. A questão é a dosagem certa?

Se Joshua morreu, não podemos mudar isso. Podemos apenas julgar o culpado com a única tortura aceita pela sociedade, priva-lo da liberdade de ir e vir. Como um pássaro que não pode voar, viverá parte ou toda a vida atrás das grades, apenas se alimentando e dormindo. Como um animal no zoológico que é constantemente observado, não terá muita privacidade. As pessoas ou algumas delas não temem perder a liberdade, não se importam com a própria liberdade. Só podemos ter pena, talvez, até rezar por elas. Não se sabe o que se tem na mente de cada um. Só sabemos que somos todos humanos, todos erramos, porque ninguém lhe apresentou o manual da vida e se lhe entregassem, você leria? Alguns erros são considerados imperdoáveis, não recebem segunda chance ou recebem e são repetidos os erros. Não temos tutores para viver? Temos e não confiamos neles? E se o certo dele, não for o certo que terei que fazer para as coisas darem bons resultados? A gente fere sem ver, a gente vê e fere... A compaixão não tem lugar, não há espaço para a sutileza. Dessa forma é fácil, mas vou fazer da forma mais difícil. O ser humano é teimoso e deve só rir, viver e um dia morrer? E quando morre tudo o que você fez, se vai junto. Não faz diferença se você curtiu muito ou foi um chato rabugento a vida toda. Não há receita para viver bem. Viver é muito bom, apenas isso, seu senso de sobrevivência lhe diz isso. Temos coisas que são muito boas, mas podem encurtar a vida. E se vivemos uma vez e viver é bom, por que encurtar a vida, mesmo que for para se viver intensamente? Existem certas emoções melhores, que não sentiremos se formos embora muito cedo? Há coisas incertas, adversas que nos impedem de pensar assim, como viver certo como Joshua e ser morto? A muito que pensar, mas temos tempo para decidir ou o tempo já acabou?